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Estudo enumera os fatores de risco e de conduta que interferem na saúde mental de crianças e adolescentes

Elas preferem brincar sozinhas, costumam ter acessos de raiva e de birra, mentem com frequência e são atormentadas por outras crianças. Em contrapartida, têm boa vontade de compartilhar e são mais gentis com os colegas.

Estes são alguns dos sintomas emocionais e de conduta de crianças e adolescentes do Nordeste, de 4 a 16 anos, cujo comportamento foi avaliado por pesquisadores do Projeto Atenção Brasil - Saúde Mental e Desempenho Escolar. O estudo é coordenado pelo Instituto Glia com a colaboração da Universidade de São Paulo (USP), La Sapienza de Roma e do Albert Einstein College of Medicine de Nova York.

Para identificar fatores de risco e proteção para a saúde mental de crianças e adolescentes, o Projeto entrevistou pais e professores de 9.149 delas (599 no Nordeste), de 17 estados (inclusive o Ceará), totalizando 81 cidades das cinco regiões. A exemplo do Nordeste, as crianças e adolescentes das regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram um maior porcentual de sintomas emocionais e de conduta do que as das demais regiões brasileiras; no entanto, o risco de transtornos mentais foi igual ao das crianças da região Sudeste.

Causa e efeito

Segundo o neurologista infantil e coordenador do Projeto, dr. Marco Antonio Arruda, comparadas com crianças e adolescentes das regiões Sul e Sudeste, os do Nordeste desenvolvem mais hábitos solitários.

O dado chamou a atenção dos pesquisadores, embora ainda não exista um consenso quanto às razões para que esse comportamento seja determinante na região. Mesmo porque, a opção por brincar sozinhos não significa, necessariamente, que os pequenos optam por atividades tradicionalmente solitárias (jogos de videogame, computador, etc). O que ficou claro no relato de pais e educadores é que foi observada uma tendência a uma menor capacidade de socialização/isolamento por parte das crianças e adolescentes nordestinas.

A condição socioeconômica da população nordestina, com ênfase para a desigualdade social, é apontada como uma das razões para os relatos frequentes de crianças e adolescentes que apresentam acessos de raiva e birra. Ao mesmo tempo, contrapondo essa agressividade, são nossas crianças classificadas por pais e professores como sendo "mais gentis com outras crianças" e que "têm boa vontade de compartilhar".

As conclusões do estudo serão apresentadas em agosto, em Ribeirão Preto, São Paulo, durante o III Congresso Aprender Criança - Educação, Mente e Cérebro, considerado um dos maiores eventos sobre neurociência, educação e aprendizado da América Latina. Na ocasião, explica dr. Marcos Antonio Arruda, doutor em Neurologia pela USP, também será divulgada uma cartilha com uma série de recomendações para pais e educadores.

Quando comparados os índices de saúde mental das demais regiões do Brasil, as estatísticas revelam que 40,9% das crianças e adolescentes nordestinos têm sintomas emocionais e 15,1% apresentam maior risco de terem ou desenvolverem transtornos mentais.

A região Sul apresenta os melhores índices de saúde mental (risco de transtornos mentais de 10,8%). Em relação ao desempenho escolar, as crianças e adolescentes registram melhor desempenho escolar que as das demais regiões: 38% maior tendência de desempenho acima da média; e de 41% maior de desempenho escolar na média ou acima, segundo opinaram os professores. No tocante ao comportamento, as crianças do Sul são descritas como "irrequietas", enquanto as do Sudeste como "mais queridos por outras crianças".

Fonte: Diário do Nordeste


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