Através de denúncias, estudos de caso e reportagens, realizadas entre 1991 e 1993, foi possível detectar trabalho infantil em várias atividades produtivas e nos mais diversos estados do país.
Pela gravidade das condições de trabalho ou pelas reações de indivíduos isolados ou grupos de ativistas na defesa de direitos, três setores receberam mais atenção da mídia: carvão vegetal, cana de açúcar e calçados. (foto)
No final de 1994, foi criado o Fórum Nacional pela Erradicação do Trabalho Infantil, que elege os três setores como prioritários para intervenção. A mobilização contra o trabalho infantil nestas três atividades produtivas transformaram-se em causas nacionais.
A Fundação Abrinq passou a integrar a organização do Fórum em junho de 1995. A matéria denúncia "Nossas Crianças; a sucata do progresso" publicada na revista ATENÇÃO!, em dezembro de 1995, contou com a contribuição da Fundação Abrinq na elaboração do roteiro e na investigação. A reportagem mostrou que megaindústrias eram os principais clientes das empresas que exploravam a mão de obra infantil de crianças brasileiras nas cadeias produtivas do carvão vegetal, por exemplo.
A partir de 1996, foram celebrados 10 pactos setoriais em cadeias produtivas, cuja articulação a Fundação Abrinq participou, nos setores sucroalcooleiro, fumageiro, citrícola e calçadista.
Nos pactos estão incluídos compromissos das empresas em não empregar crianças, engajar seus fornecedores, apoiar a escola pública, investir nos fundos municipais dos direitos da criança, entre outros.
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Iolanda Huzak e Jô Azevedo
(in: "Crianças de Fibra", RJ, Paz e Terra, 1994)'