O Trabalho Infantil Doméstico - T.I.D. é uma forma
de trabalho infantil realizada por crianças e adolescentes
com idade inferior a 16 anos, em casa de terceiros, nas funções
domésticas. Nele, crianças executam trabalhos domésticos
de todo tipo, muitas vezes com jornada excessiva e pouca ou nenhuma
remuneração.
O problema do trabalho infantil doméstico, uma prática
disseminada e culturalmente arraigada em nosso país, foi
escolhido por organizações como OIT, Unicef, Save
the Children UK, ANDI, Fundação Abrinq entre outras,
por apresentar sérias dificuldades de ação
das políticas públicas, seja pela "invisibilidade"
das crianças envolvidas neste tipo de trabalho, seja pela
não percepção deste tema como um problema
social.
Aproximadamente 5.482.515 crianças e adolescentes de 5
a 17 anos trabalham no Brasil (PNAD, 2001). Desse total, 494.002
crianças e adolescentes trabalham em casa de terceiros,
sendo que dentre eles (dados PNAD - 2001):
O trabalho infantil doméstico, além das críticas
usuais aplicáveis a todo tipo de trabalho infantil, gera também
preocupações específicas como o fato de ser realizado
no âmbito residencial, onde não é possível
uma fiscalização sistemática, expondo o(a) jovem
ao risco de uma série de injustiças, desde a baixa remuneração
e longas jornadas de trabalho até as mais críticas,
que envolvem abusos sexuais e atos de violência.
Por essa razão, a Fundação Abrinq em parceria
com a Organização Internacional do Trabalho -
OIT e Agência de Notícias dos Direitos da Infância
- ANDI estão desenvolvendo no Brasil o Programa de Ação
de Comunicação para o enfrentamento do trabalho
infantil doméstico.
Esse programa faz parte do Projeto Regional para Prevenção
e Erradicação do Trabalho Infantil Doméstico
que é organizado pela OIT - Organização
Internacional do Trabalho e abrange o Brasil, Peru, Colômbia
e Paraguai. Inicialmente, as ações começaram
a ser desenvolvidas nas cidades de Belém/PA, Belo Horizonte/MG
e Recife/PE, através de três projetos pilotos que
inclui estudos qualitativos sobre o Trabalho Infantil Doméstico;
sensibilização da sociedade para o problema; mobilização
de ONGs, Ogs, Conselhos Tutelares, entre outros; realização
de campanhas nos meios de comunicação; criação
de grupos de ajuda e oficinas educativas; entre outras.
Entre as ações de responsabilidade da Fundação
Abrinq, está o lançamento nacional na mídia
de uma campanha de conscientização sobre os malefícios
do Trabalho Infantil Doméstico, como também um
concurso de desenhos sobre o tema em parceria com a Folhinha
da Folha de São Paulo. Além disso, a Fundação
é responsável pela distribuição
de cartilhas sobre o Trabalho Infantil Doméstico às
prefeituras, aos conselhos tutelares e de direitos; assim como
pela mobilização de empresas e setores empresarias
na divulgação de mensagens contra esse tipo de
trabalho infantil.
O projeto prevê ainda pesquisas, formação
de comissões para estudo da legislação
e elaboração de um plano nacional de combate ao
problema. A última etapa do programa prevê a identificação
dessas crianças e a inclusão em programas de geração
de renda.
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